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Podcast T3E3: Pedro R. Almeida - Em Defesa dos Peixes Migradores

April 21, 2021 Ciência Com Impacto Season 3 Episode 4
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Podcast T3E3: Pedro R. Almeida - Em Defesa dos Peixes Migradores
Apr 21, 2021 Season 3 Episode 4
Ciência Com Impacto

Nas últimas décadas, os ecossistemas dos peixes migradores diádromos alteraram-se dramaticamente, com particular destaque para os habitats estuarinos e ribeirinhos. O biólogo Pedro R. Almeida, vice-diretor do MARE e docente na Universidade de Évora, estuda há vários anos estas espécies ameaçadas e tenta encontrar soluções que contribuam para a sua sobrevivência.

A principal ameaça é a redução dos habitats de água doce, devido a barragens, açudes e outros obstáculos construídos no curso dos rios – que cortam os percursos migratórios. Nos últimos anos, na Península Ibérica, só a lampreia-marinha perdeu 80 por cento do habitat.

A poluição generalizada é outro perigo para a conservação dos migradores. As larvas de lampreia, que precisam de passar os primeiros quatro a cinco anos enterradas, são das principais vítimas. 

A pesca é o impacto negativo, mais duradouro, que estas populações piscícolas têm sofrido. É necessário regulamentar a pesca, de forma a garantir a valorização do pescado e a sua exploração responsável e sustentável.

Para Pedro R. Almeida, é urgente eliminar os obstáculos obsoletos, como pequenos açudes que deixaram de ter utilidade. Nos restantes casos, tal como a lei manda, é obrigatório construir dispositivos de transposição para os peixes. Podem ser passagens de bacias sucessivas com fendas verticais, rampas para peixes ou elevadores, conforme as necessidades de cada espécie. Só assim se poderão salvaguardar espécies migradoras tão emblemáticas como o sável, o salmão, a lampreia, a enguia ou o muge. Em alternativa, pode-se recuperar e preservar o habitat a jusante das grandes barragens, preferencialmente em afluentes, de forma a manter uma reserva biológica da espécie – evitando a sua extinção, tal como sucedeu com o esturjão.


Uma conversa a não perder.

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Nas últimas décadas, os ecossistemas dos peixes migradores diádromos alteraram-se dramaticamente, com particular destaque para os habitats estuarinos e ribeirinhos. O biólogo Pedro R. Almeida, vice-diretor do MARE e docente na Universidade de Évora, estuda há vários anos estas espécies ameaçadas e tenta encontrar soluções que contribuam para a sua sobrevivência.

A principal ameaça é a redução dos habitats de água doce, devido a barragens, açudes e outros obstáculos construídos no curso dos rios – que cortam os percursos migratórios. Nos últimos anos, na Península Ibérica, só a lampreia-marinha perdeu 80 por cento do habitat.

A poluição generalizada é outro perigo para a conservação dos migradores. As larvas de lampreia, que precisam de passar os primeiros quatro a cinco anos enterradas, são das principais vítimas. 

A pesca é o impacto negativo, mais duradouro, que estas populações piscícolas têm sofrido. É necessário regulamentar a pesca, de forma a garantir a valorização do pescado e a sua exploração responsável e sustentável.

Para Pedro R. Almeida, é urgente eliminar os obstáculos obsoletos, como pequenos açudes que deixaram de ter utilidade. Nos restantes casos, tal como a lei manda, é obrigatório construir dispositivos de transposição para os peixes. Podem ser passagens de bacias sucessivas com fendas verticais, rampas para peixes ou elevadores, conforme as necessidades de cada espécie. Só assim se poderão salvaguardar espécies migradoras tão emblemáticas como o sável, o salmão, a lampreia, a enguia ou o muge. Em alternativa, pode-se recuperar e preservar o habitat a jusante das grandes barragens, preferencialmente em afluentes, de forma a manter uma reserva biológica da espécie – evitando a sua extinção, tal como sucedeu com o esturjão.


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